Thursday, January 25, 2007

- senta aqui.
- nao...
- senta aqui, carinho.
- nao quero.
- por que voce anda assim tao...
- tao?
- nao sei... tao...
- eu sei.
- que passa?
- estou gravida.



.....



- voce nao vai falar nada?
- e o que e' que voce quer que eu fale? o filho nao e' meu.
- como nao e' seu! voce pretende me deixar sozinha, e correr da vida que voce fez?!
- ja' falei que o filho nao e' meu, e sim, vou te deixar sozinha com a vida que VOCE fez, com uma outra pessoa.
- que outra pessoa?! vou te dar um tempo pra reavaliar o que voce esta' falando.
- ja' tive tempo, e ja' pensei.
- como assim ja' pensou, nao, voce tem que pensar nisso direito.
- creio que voce que tem que repensar isso direito. meu amor, sou este'ril.

Thursday, January 18, 2007

diologo mal escrito II

- escreve pra mim que eu to com saudade?
- nao da'.
- jura?
- aham.
- por que nao da'?
- (pbfff)
- ein, por que nao da'?
- nao da' porque nao da', porque porque porque.
- voce e' melhor do que isso.
- eu sei que sou, mas agora nao da'.
- e' que eu to com muita saudade.
- saudade de que?
- de te sentir poeta, de nao cansar nunca de mim nas suas palavras. eu pareço tao melhor.
- entao voce nao quer que eu escreva, quer se sentir melhor.
- nao e' bem assim. e' que quando e' voce quem escreve, sei que e' verdade.
- sabe mesmo?
- nao adianta nem dizer que nao e' porque nao vai me convencer.
- nao pretendo te convencer de nada.
- entao escreve pra mim.
- nao da'. chega, vai...
- ....
- nao me olha assim.
- nao da'.

Thursday, December 14, 2006

aqui jaz o casulo eletrônico de uma quase poeta. por tanto tempo tentou internetizar seus termos e eletronizar seus pensamentos. aqui jaz a sete metros abaixo da terra um encéfalo enrigecido e customizado. se mantém morno por tempo indeterminado, e anda à procura dos parafusos que lhe fazem falta. oficialmente; bye bye.

Sunday, November 05, 2006

diálogo mal escrito

estavam vendo "a clockwork orange", do kubrick, quando de repente ela virou para a outra e perguntou quase que afirmando:
- então quer dizer que você não me acha gostosa.?
- sabia que não tinha que ter te dito isso.
- e porque não?
- por que no fundo tinha certeza que você ia ter exatamente essa reação.
- que reação?
- você está prestes a me fazer um inquérito, não tá?
- tô.
- essa reação.
- por que você não me acha gostosa?
- ai gata, apaga essa merda, cara. deixa rolar.
- não. por que você não me acha gostosa, porra?!
- porque você é baixinha, e tem as coxas grossas, você sabe que eu não gosto disso, gata, mas te acho linda mesmo assim.
- como assim? me acha linda e não me acha gostosa?
- porra, te acho linda, gosto de estar com você, mas você não me inspira aquele sentimento pecaminoso, uma luxúria desordenada, não sei o motivo.
- mas acha ela gostosa.
- ô linda, não faz assim...
- por que ela é gostosa?
- é pra saber mesmo? a verdade? então tá. ela é gostosa porque quando passa na minha frente eu viro o pescoço pra olhar sua bunda. é gostosa porque toda vez que eu olho pra ela tenho vontade de arrancar um pedaço, é gostosa porque anda como uma mulher, e quando a gente fode, ela faz uns barulhos muito mais gostosos do que os seus. quando a gente fode ela jorra gozo entre os meus dedos com um punhado de honestidade. tem uma elasticidade fantástica que você não tem, e se abre para mim como um labirinto infindável. é suficiente?
- na verdade não.
- não tenho disposição para continuar.
- daqui a pouco dou pause de novo, preciso só de um pouquinho de tempo.
continuaram o filme na cena do molokolo plus.

Wednesday, October 18, 2006

úndo

Miraste o olho grande no mundo,

fizeste do olhar um pranto mudo.

Carregaste a alma de um segundo,

com a intensidade de um poço sem fundo.

Seus cílios lavaram-se como se lava um imundo,

e assim calou-se pela compreenção do mundo.

Saturday, September 23, 2006

. .

jogou-me contra a parede ao fim do corredor. pegou-me pelo braço e com uma violência passional largou-me desamparada na cama. abriu vastamente minhas pernas e invadiu meu útero. me arrancou a respiração fora, me prendeu os braços sob a cabeça para que não pudesse me mover. com uma brutalidade de doer no osso, fez-se entrar em todos os poros do meu corpo. puxou-me os cabelos e me apertou a nuca. com suas pernas entre as minhas se fez dona do meu prazer. tornei-me seu brinquedo, seu bibelot. sem respirar, ansiava para que não acabasse. por um momento me fixou os olhos. negros. ví num ímpeto toda a sua raiva se converter no mais puro sexo. soltei meus braços por uma fração de segundo. levei de volta um aperto para que deixasse de acreditar na luta e aceitasse o domínio. a lua que assistia da janela me causou um tremor cada vez maior, cada vez mais pulsante. vi seu corpo vermelho, como se fosse me jorrar todo seu sangue ao invés de seu gozo. com meu braços ainda presos lhe arranhei as costas até lhe tirar a pele, até lhe arrancar um urro. um bramido. ao me soltar os braços, trespassou seu rosto por meu púbis e seus braços por minha anca. logrou-me como a um pedaço de carne, sem me dar o luxo da respiração. pressionou sua mão raivosa entre meus seios, deixando-me marcas de chicote. sugou minha vulva como se a fosse levar embora, e fez-me contorcer as pernas pressionando-a cada vez mais para dentro de mim. notou que meu corpo já não mais aguentava a veemência que a sustentava, tampouco a tirania que me impôs. depois de desfrutar-me em cada pequena parte, deixou-me com um rugido singular. foi embora como quem foge de um crime de se abominar, e , sem volta, me legou o inesquecível.

Sunday, September 17, 2006

De repente, o demônio virou pra mim e disse:
- Você acha que consegue, Helena? Está enganada. Tome a dor como consolação.